Sexta-feira,feliz!
Quando recebi o convite pensei:
- Poxa, até parece nome de promoção de lanchonete,
ou até mesmo aquela tática pra tentar ludibriar o funcionário:
“sexta feliz! hoje você pode se vestir a vontade!”
Mas não era nada disso.
A tarefa?
Traduzir este dia da semana.
Dia em que todos parecem estar mais acelerados!
O ser humano derrama sobre a terra seus atrasos e suas pressas!
As relações são vividas sob uma ansiedade diferente:
É o dia da abertura!
É fechamento,
é a formatura!
É o fim do prazo,
é o último dia útil!
Já recebeu?
Ainda não chegou?
Não resolveu?
Não dá pra esperar!
É só até hoje.
Amanhã não funciona!
Amanhã não funciono.
Afinal…
É o começo das férias semanais!
A gente se despe (e se despede) do personagem da semana pra encarar nosso outro eu!
Nosso eu supostamente mais livre!
É o dia que acaba na metade… Pois, sua outra metade já é fim de semana.
É isso!
A transição entre o fim da tarde e o sábado!
Talvez seja aí que se esconde a simpática sexta-feira.
Silenciosa ela não se declara… Simplesmente surge. Acolhe.
Ela é, na verdade, a madrugada do sábado.
É o dia que nos leva mais tarde pra cama,
é o dia da noite mais bacana,
A sexta é assim… Uma incógnita.
Festiva, solitária, urgente…
É o fim, é o início… Um presente.
Não existe nenhum outro dia parecido,
de segunda a quinta…Sábado e domingo.
Poderíamos todos viver só de sextas-feiras,
viveríamos ansiosos pelo amanhã.
Mas a vida nos fez assim… Escravos de um calendário de outrora,
“milésimocentésimosegundominutohora”.
Sexta-feira… Só uma vez por semana.
Que tristeza.
Quanto à felicidade?
Fica por conta de quem a traduz assim: feliz.
Fernando Anitelli